Morre Mano Ziul, da Bit Baite


Nascidos e criados em Itacoatiara (Niterói), Celso Alves (20/01/1960) e Ziul Andueza, o Mano Ziul (23/12/1961), tiveram nas suas pranchas São Conrado o impulso para viver o surfe, a partir da década de 1970. E nos anos seguintes eles já encaravam as competições organizadas pela Associação de Surf de Niterói.


Em 1983 os amigos surfistas ingressaram juntos no mundo dos negócios. Os dois enxergaram um nicho de mercado e abriram uma loja de informática em Niterói. Os computadores pessoais davam os seus primeiros passos no Brasil e os usuários da cidade tinham que atravessar para o outro lado da baía para comprar os produtos na capital fluminense.


Na época Mano estava se formando em Computação e era programador. O surfe continuava correndo na veia dos sócios que não perdiam os torneios, entre eles os Festivais de Surf em Ubatuba. A competição nacional atraía centenas de surfistas que sentiam as dificuldades na organização e a demora na divulgação dos resultados entre uma e outra bateria.


Foi Celso quem provocou o amigo programador a criar um programa de computador e informatizar os torneios. Mano topou o desafio na hora. A partir da programação de Mano as papeletas com as notas dos juízes passaram a ser digitadas e impressas em cinco minutos com os dados processados. Surgia assim a Bit Baite Processamento de Dados.


O negócio começou a evoluir rapidamente. A Associação de Surf de Niterói (ASN) adotou o sistema para os torneios cariocas. Depois surgiram os terminais numéricos, já usados no sistema bancário. O valor das máquinas era muito caro, mas eles conseguiram alguns terminais para testes junto a uma fábrica de Jacarepaguá. Mano adaptou o sistema para os terminais e deu certo. A galera do surfe enlouqueceu com a novidade e o negócio se expandiu para as diversas modalidades e categorias.


Eram noites viradas para tudo acontecer com perfeição. Os surfistas passaram a acompanhar a apuração da nota durante a disputa e isso trouxe muita evolução para o surfe de competição. O OP Pro em Florianópolis foi a chancela para os campeonatos de expressão nacional.


Foi quando o diretor-presidente da Hang Loose, Alfio Lagnado, chamou a dupla para fazer a etapa do Hang Loose Pro Contest 1986, também em Floripa. Deu tudo certo e os gringos piraram na inovação. Mano evoluía desenvolvendo estatísticas para juízes, criando rankings entre eles e gerando uma disputa saudável para a evolução do surfe.


Em 1989, Al Hunt, CEO da ASP (Association of Surfing Professionals), chamou a Bit Baite para cobrir as etapas do Circuito Mundial. Eram terminais, impressoras e computadores na bagagem, passando pelas alfândegas até chegar Huntington Beach. Haviam fiscais conferindo as notas com os nossos sistemas digitais. A confiança aumentou e na etapa seguinte dispensaram os fiscais. Nem a concorrência estrangeira da Toshiba, numa fracassada tentativa de desmoralizar o projeto tupiniquim, impediu o avanço da dupla. A pequena, porém experiente empresa de Niterói derrotou a gigante japonesa.


A ASP bateu o martelo para os brasileiros seguirem adiante no circuito mundial. Mano e Celso já não podiam mais permanecer na loja. A internacionalização da empresa era um caminho sem volta. As contratações para tocar as competições em vários níveis exigiram altos investimentos em novos equipamentos e programas. Com a chegada da internet o sistema passou a ser online, com computação e transmissão de dados pela rede. Eles saíram à frente mais uma vez, engatinhando e persistindo para um público ainda nascente.

Também construíram ilhas de edição para verificação das imagens pelos juízes. A tecnologia corrigiu possíveis erros no julgamento e trouxe mais confiança no processo.


Infelizmente Mano morreu nessa quarta-feira, dia 15 de junho de 2022. Mano Ziul e Celso foram grandes amigos e suas contribuições deixaram um grande legado dentro e fora d’água para o surfe mundial. O surfe nunca mais foi o mesmo depois deles.




Por Gabriel Pierin

@gabriel_pierin


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